terça-feira, 3 de março de 2015

O reencontro com um grande Amor

Final de expediente. Todas as tarefas e obrigações cumpridas ao final de uma tarde corrida. Me bate um incômodo. Não sei ao certo o que é. Tento identificar. Penso, abro um livro, navego pela internet. Não passa. Depois de algum tempo identifico. É meu corpo que pede, clama por alguns minutos de bate-bola.

Joguei tênis por muitos anos, participei de torneios durante toda a adolescência, cheguei a jogar torneios profissionais no início da idade adulta, ou seja, por muito anos respirei o esporte da bolinha amarela. De repente por falta de recursos financeiros fui obrigado a interromper a carreira de forma abrupta. Num dia eu era um lutador no circuito buscando uma forma de ganhar a vida jogando tênis. No outro eu era um jovem de 22 anos que estava sendo obrigado a aprender algo novo para viver, sem um tostão no bolso. E depois disso mal peguei na raquete. Apenas segui acompanhando o esporte pela televisão.

Eis que a máquina sentiu falta. Ligo para vários clubes e academias em busca de "adversários" para jogar de forma descontraída, movimentar o corpo, suar. Não posso bater bola com um principiante. Minha bola ainda tem um certo peso e consigo ser um jogador constante ainda que com algumas dificuldades de movimentação. Também não posso treinar com os profissionais que treinavam comigo nos bons tempos, pois eu não veria a cor da bola.

Após ligar para uns quatro lugares, me identifico com um deles. Marco para estar lá a partir das 7 da manhã do dia seguinte. Existe uma equipe que segundo a secretária, tem uma bola firme, ritmo e intensidade adequados para treinar com um cara na minha situação melancólica. Conheço o treinador de outras épocas, ele percebe meu tênis e me manda para a quadra principal. Irei treinar com os melhores jogadores da academia. Pessoas comuns que assim como eu só tem as primeiras horas do dia para estarem na quadra.

Bato a primeira bola e tenho a impressão de estar batendo com minha raquete de cordas amolecidas pelo tempo, numa bola de basquete. Bato mais duas, três, quatro, começo a sorrir. Meu corpo agradece a oportunidade de estar ali. Meus pés agradecem por estarem pisando no saibro vermelho que pra mim é místico.

Começo acertar a bola com cada vez mais força, vou encontrando a precisão. Direita, direita, esquerda, esquerda. Me surpreendo com a capacidade do cérebro humano de não esquecer os movimentos precisos desse esporte poético ao longo dos anos embora minhas pernas não consigam ser tão rápidas quanto eu gostaria. A cada bola que vem em minha direção, focalizo a bola amarela girando, vejo tudo ao redor dela ficando embaçado, posiciono minhas pernas, sinto que até minha pupila se dilata nesse momento, transfiro o peso das pernas, que vai passando pelo quadril, passa pelos braços, e num movimento rápido golpeio a bola amarela num impacto impressionante que acontece a frente do meu corpo como se fosse o golpe de um boxeador, Muhammad Ali ou Evander Holyfield quem sabe.

E assim passo quase duas horas nessa brincadeira. Como uma criança brincando em um playground como se o tempo parasse.

Satisfeito com o corpo inteiro suando e as dores musculares que me acompanhariam pela semana inteira, tomei um banho e fui embora trabalhar e seguir a rotina de um brasileiro normal. No caminho agradeci aos céus por tamanho êxtase em estar numa quadra de tênis novamente. Amanhã estarei lá de novo, treinando saques, devoluções, direitas, esquerdas. E depois de novo, e de novo, até o final dos meus dias.

Assim segue a vida. E aqui vai o meu conselho, de forma simples, em apenas uma linha:

"JAMAIS DEIXE DE FAZER AS COISAS QUE FAZEM SEUS OLHOS BRILHAREM."

3 comentários:

  1. Fala PM


    Curti muito. Eu tbm tenho minhas paixões esportivas. No meu caso é o kart. Espero poder pratica-lo com frequencia quando conseguir sair do Brasil, já que la fora é muito mais barato.

    Belo artigo.


    Abs

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  2. Grande Rover! É bom ter você aqui, meu caro.

    É muito irado! Às vezes vou ao kartódromo me arriscar com kart alugado, e é um esporte muito prazeroso. Certa vez um cara quis me vender três karts mas acabei não fechando o negócio devido justamente aos custos pra manter os meninos em bom estado e competitivos. Quem sabe um dia no futuro...mas concordo com você. É show de bola demais!

    Grande abraço,

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  3. Joguei tênis poucas vezes na vida, me sai bem, mas apesar da pouca prática sinto uma vontade grande de jogar constantemente, espero um dia poder realizar esse sonho...

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